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Pesquisa

Pesquisa levanta perdas econômicas dos incêndios na Reserva Indígena Tadarimana

Publicado: 09/09/2021 10:18 | Última atualização: 09/09/2021 10:18
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Estudo realizado por mestrandos em Gestão e Tecnologia Ambiental da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), sob a orientação do professor Luís Otávio Baú Macedo, levantou as perdas econômicas decorrentes dos incêndios na Reserva Indígena Tadarimana em 2020. Segundo a análise, o valor econômico estimado em termos de créditos de carbono foi de R$ 7.788.677,03 em perdas ambientais do bioma cerrado, que poderiam ser investidos em comunidades indígenas.

De acordo com o estudo, “[…] o potencial dos mercados de créditos de carbono é gigantesco. Especialmente, mediante as perspectivas internacionais de efetivação do acordo de Paris, em que a ampliação da liquidez do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) pode ser um instrumento viável de captação de recursos por comunidades tradicionais e povos indígenas”. Essa potencialidade do bioma cerrado, que é o segundo maior do Brasil, em obter créditos de carbono requer a conjugação de esforços emergenciais por parte do poder público, em seus três níveis (Federal, Estadual e Municipal), com o apoio da sociedade civil e as comunidades envolvidas, em ações de mitigação e prevenção das mudanças climáticas no sudeste de Mato Grosso. Isso porque, quando se queima um bioma, além de perder a vegetação, perde-se dólares em créditos de carbono que poderiam ser recebidos economicamente em uma oportunidade futura e alocados para a comunidade indígena.

Para calcular as perdas, o estudo tomou como base os incêndios ocorridos entre os meses de julho a setembro de 2020 na Reserva Tadarimana. Foram registrados, neste período, 37 focos de calor, que podem ser considerados eventos de incêndios. Desse total, 21 focos foram localizados na região ao norte da terra indígena, bem próximo da área urbana da cidade de Rondonópolis. Já, no entorno próximo, foram verificados 52 focos de calor, totalizando a liberação de mais de 500 mil toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Em relação à área incendiada, perderam-se 6.712,93 hectares, equivalente a 69,92% da área total da Tadarimana.

A análise revela que essa liberação de dióxido de carbono (emissão de gases de efeito estufa) ocasionou a perda dos mais de R$ 7 milhões em créditos de carbono do bioma Cerrado. Contudo, as perdas em créditos são maiores ainda quando considerado os danos à qualidade do ar e à fauna e à flora. Mesmo mediante a realização de esforços de reflorestamento e revitalização das áreas destruídas, existem danos irreversíveis para a capacidade de suporte do ecossistema. “Os custos com a prevenção de incêndios, contratação e treinamento de brigadistas, construção de aceiros, e até mesmo placas para conscientização dos motoristas, são muito inferiores ao valor do custo econômico oriundo da queima da cobertura arbórea”, explicou o professor Luís Otávio Baú Macedo.

Participaram do estudo os mestrandos Agda Alves Ramalho, Anderson Luiz, Jennifer Nogueira Feitosa Silva e Monalisa Janaya Castelo da Silva Vasconcelos.

As informações e a imagem que ilustram esse texto provém de publicação realizada pelo Jornal A Tribuna Mato Grosso.

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