Turma 2023
LER E ESCREVER COM CRIANÇAS NA ALFABETIZAÇÃO: ANÁLISE DE UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DOCENTE DE APRENDIZAGEM MÚTUA
Autora: ANA RODRIGUES DE SOUZA
Resumo: Esta pesquisa se insere no âmbito do Mestrado em Educação, na área de Linguagem, Educação e Cultura, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis (PPGEdu/UFR) e apresenta como temática o ensino-aprendizagem de leitura e escrita, a partir do seguinte questionamento: Considerando a perspectiva interacionista e discursiva, como se desenvolveu o processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita, por meio do trabalho com texto, em uma turma de alfabetização? Para tanto, esta investigação tem como objetivo geral compreender como se desenvolveu o processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita, considerando a perspectiva discursiva e interacionista estudadas por Bakhtin e Vygotsky, respectivamente. Entende-se que a finalidade da aprendizagem da língua, falada ou escrita, numa perspectiva escolar, reside na comunicação, interação e construção de sentido. Essas duas modalidades de comunicação, mesmo que se diferenciem na forma de desenvolvimento, coincidem na função interativa. As crianças, quando conversam umas com as outras, falam textos e não palavras soltas. O mesmo acontece com o texto escrito, elas interagem buscando o sentido e não os elementos linguísticos, como fonemas e grafemas. Assim, o texto, por ser uma unidade de sentido, deve ganhar centralidade no processo de ensinoaprendizagem desde a fase da educação infantil, já que ele se torna o ponto de encontro das relações e que possibilita, de forma simultânea e articulada, a interação das crianças em situações concretas de comunicação e construção de sentido, refletindo na evolução de habilidades necessárias para apropriação da leitura e da escrita. A investigação adotou a abordagem qualitativa, com a metodologia estudo de caso. Para sustentar teoricamente as discussões, os estudos se apoiaram em autores, tais como: Bakhtin e seu círculo (2014) (2016), Ferreiro e Teberosky (1999), Marcuschi (2008), Soares (2009; 2022), Vygotsky (2005), Vigostski (2007), Mortatti (2000; 2004 ); Street (2014); Kleiman (1995; 2004); Antunes (2009); Batista (2006); Matencio (1995); Terzi (1995); Geraldi (2011); Gontijo (2009) Gontijo; Schwartz e Costa (2016); Souza e Costa-Maciel (2021), Morais (2005), Coutinho (2005); e como aporte metodológico, Lüdke e André (1986), Demo (2000), Minayo (2012). Os resultados desta investigação evidenciam que, apesar das inúmeras dificuldades que se encontram no espaço escolar para propor um trabalho integrado, a escola não pode e nem deve se isentar da responsabilidade de ensinar a ler e a escrever com base no texto. O professor alfabetizador, dentro de suas possibilidades, pode e deve intervir, além de levar propostas de atividades que integram conhecimentos de letramentos e alfabetização simultaneamente, não deixar a criança passar pelo processo de aprendizagem da leitura e escrita solitariamente, uma vez que os estudos teóricos realizados apontaram que a interação é um aspecto primordial quando se refere à construção do conhecimento, sendo o texto o instrumento de articulação dessas aprendizagens.
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PRÁTICAS DE LEITURA COM CRIANÇAS NA PANDEMIA E PÓS-PANDEMIA: UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO
Autora: ANDRIELLE RIBEIRO CLAUDINO
Resumo: A presente dissertação, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis (PPGEdu/UFR), na linha de pesquisa “Linguagem, educação e cultura”, intenciona tratar a respeito das práticas de leitura na pandemia e póspandemia. A investigação está desenvolvida a partir da perspectiva qualitativa, com enfoque na metodologia da pesquisa bibliográfica, com corpus constituído por 13 dissertações que discutem sobre a leitura e práticas de leitura na pandemia e pós-pandemia. O método utilizado na pesquisa foi a análise de conteúdo, discutida pela teórica Laurence Bardin (1977). A investigação apoia-se em teóricos que discutem a respeito da leitura na pandemia e póspandemia, a partir do Estado do Conhecimento, levantando dados no Portal da Capes (Catálogo de Teses e Dissertações). Considerando a importância da leitura para a formação crítica das crianças, principalmente nos espaços formais de educação, a pesquisa se organiza a partir da seguinte questão-problema: quais desafios e possibilidades as escolas têm apresentado quanto às práticas de leitura no período pandêmico e pós-pandêmico com crianças, segundo estudos já publicados? Para responder a essa pergunta, a investigação tem como objetivo geral: analisar os desafios e possibilidades que escolas têm apresentado quanto às práticas de leitura durante o período pandêmico e pós-pandêmico, a partir de uma pesquisa estado do conhecimento. Quanto aos objetivos específicos, esse trabalho busca: conceituar leitura, a partir dos referenciais bibliográficos; mapear, em teses e dissertações pesquisadas, práticas de leitura durante o período pandêmico e pós-pandêmico; analisar os desafios enfrentados pelos professores e alunos a respeito das práticas de leitura em período pandêmico; analisar as possibilidades a respeito das práticas de leitura em período pandêmico; analisar os desafios enfrentados pelos professores e alunos a respeito das práticas de leitura no período pós-pandêmico, observando que, nesse período, as aulas aconteceram de forma totalmente presencial, no início do ano de 2022; analisar as possibilidades de práticas de leituras durante o período pós-pandêmico, a partir das análises das dissertações selecionadas para a pesquisa. Nesse sentido, esta pesquisa intenciona tratar a respeito das práticas de leitura na pandemia e pós-pandemia, estabelecendo a relação entre as discussões teóricas de autores renomados na área, a exemplo de Zilberman (2012), Colomer (2007), Kleiman (2002), Sisto (2012), Martins (2006), Smith (1989), Santaella (2012), Marcuschi (2008), Abramovich (1997), Cosson (2006), dentre outros. Os resultados da pesquisa demonstraram o quanto o período pandêmico e pós-pandêmico afetou os professores e alunos, resultando em dificuldades de acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e os desafios de manter a atenção dos estudantes no conteúdo e nas aulas presenciais. As possiblidades evidenciadas nesses períodos mostraram o acesso a partir das TIC como uma aproximação e interlocução das atividades propostas pela leitura; o diálogo com os pais/responsáveis das crianças da educação infantil; as práticas de leituras exitosas, destacando as leituras lidas pela professora em sala de aula.
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QUANDO ALIMENTA-SE O OUTRO COM SEU SANGUE: O RELACIONAMENTO INTER-RACIAL ENTRE MULHERES E A PEDAGOGIA CULTURAL NO FILME AS BOAS MANEIRAS (2017)
Autora: CAROLINA CRISTELLI COSTA
Resumo: Nas pesquisas que se dedicam a teorizar sobre relacionamentos inter-raciais observa-se uma lacuna no que tange a investigação das especificidades envolvendo a questão racial em
relacionamentos homoafetivos. Diante disso, a presente pesquisa, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis e à linha de pesquisa “Educação, Cultura e Diferenças”, tem como objetivo compreender como operam as dinâmicas raciais de poder em relacionamentos afetivos-sexuais inter-raciais entre mulheres, tendo a representação no filme nacional “As Boas Maneiras” como suporte para as investigações. Para isso, investiga-se como se articulam os marcadores interseccionais, principalmente raça e gênero, em relacionamentos afetivos-sexuais entre mulheres negras e brancas, a partir das personagens Clara e Ana, bem como analisa-se como a pedagogia cultural – através de produções midiáticas, artísticas e discursivas – constrói e reproduz imaginários raciais hierarquizados. O referencial teórico-metodológico dos Estudos Culturais por meio dos procedimentos analíticos de análise fílmica, análise do texto teatral e análise discursiva viabilizam as compreensões em torno do filme. As análises das cenas, em diálogo com o referencial teórico, indicam que o relacionamento afetivo-sexual inter-racial entre mulheres é fortemente atravessado pelas relações instaladas no período colonial, culminando em dinâmicas de subalternização da mulher negra. No que concerne às pedagogias culturais, o filme reproduz uma série de estereótipos que reforçam a lógica colonial de subalternização do corpo da mulher negra, principalmente por meio do sangue como metáfora colonial, o trabalho doméstico como herança colonial e as dinâmicas de invisibilização reiteradas nas vivências de Clara. Ao articular monstruosidade e negritude, o filme também questiona os limites da humanidade, propondo uma leitura interseccional do horror fantástico como crítica social.
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COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM – PROPOSTA DE TRANSFORMAÇÃO EDUCACIONAL E ESCOLAR: UMA ANÁLISE DAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS DE 2013 A 2023
Autor: DANIEL PEREIRA DOS SANTOS
Resumo: A presente pesquisa está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu), do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), na linha de pesquisa Política, Formação e Práticas Educativas. Na sociedade atual, é importante compreender que os processos interativos, colaborativos e solidários precisam ser mais bem construídos quando dizem respeito à educação escolar. Nesse sentido, esta pesquisa estuda a proposta educativa denominada Comunidades de Aprendizagem e a possibilidade de transformação social e cultural da comunidade escolar e do entorno. Assim, a Teoria da Ação Comunicativa de Habermas e a Teoria da Ação Dialógica de Freire embasam tal proposta possibilitando pensar a construção de educação de maneira democrática e participativa. Por conseguinte, a questão de pesquisa aqui apresentada busca saber: “O que apontam as produções científicas do período 2013 a 2023 acerca da proposta educativa de Comunidades de Aprendizagem?”. Esta produção tem por objetivo geral: compreender por meio das produções científicas que estudam Comunidades de Aprendizagem o motivo pelo qual essa proposta é considerada uma alternativa possível para transformação do contexto social e educativo contemporâneo. Este trabalho investigativo é de natureza qualitativa, de caráter bibliográfico e faz uso da técnica da análise de conteúdo de Lawrence Bardin (1977), que busca desenvolver os seguintes objetivos específicos: 1. Descrever e analisar as produções científicas (2013-2023) referentes à origem, organização e funcionamento de Comunidades de Aprendizagem e suas bases fundantes; 2. Evidenciar os principais resultados dos estudos acerca dessa proposta; 3. Identificar os elementos que qualificam a proposta, Comunidades de Aprendizagem, como uma ação educativa transformadora, bem como os elementos que dificultam a sua consolidação. Após o mapeamento, realizado em plataformas digitais como Cientifico Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Education Resources Information Center (ERIC) e Dialnet, foram selecionadas 29 produções entre nacionais e internacionais referente a um período definido entre 2013 e 2023, computando 10 anos de produção intelectual, cujos produtos são dissertações e artigos. Foi possível constatar que a resposta à questão de pesquisa está posta na relação entre a esperança de uma educação inclusiva, respeitosa, humanizada e de resultados acadêmicos de êxito que Comunidades de Aprendizagem propõe desenvolver com toda a comunidade escolar e do entorno e a realidade objetiva gerencialista em que os seres humanos estão inseridos no cotidiano. Durante a pesquisa foi possível evidenciar que o neoliberalismo tem conseguido dominar de forma perversa a sociedade contemporânea, promovendo: o achatamento do tempo para as relações familiares e sociais impedindo as construções de reflexões a respeito do cotidiano; o empobrecimento da comunicação interativa trabalhista educacional dentro e fora da escola, como o caso dos voluntários; além da transformação da escola em um espaço hiperburocratizado e performático. A pesquisa tem a intenção de contribuir para o aprofundamento dos estudos em relação ao tema, ampliação do debate científico e continuidade de pesquisas de cunho social e educativo na contemporaneidade, além de possíveis desdobramentos desta.
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ABORDAGEM DIDÁTICA DOS GÊNEROS ORAIS NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MATO GROSSO: HORIZONTES DECOLONIAIS
Autor: DANILO RENATO DA SILVA MARTELO
Resumo: A ressignificação do ensino de gêneros orais na Língua Portuguesa para o 7º ano da rede pública de Mato Grosso propõe reflexões significativas sobre as práticas pedagógicas tradicionais. Walsh (2010) destaca que a inclusão de novas vozes e saberes marginalizados desafia a reconfiguração do espaço didático, questionando as barreiras disciplinares que limitam a formação integral dos alunos. A partir de uma perspectiva decolonial, como sugere Mignolo (2014), é essencial problematizar as colonialidades no ensino, que tendem a valorizar a escrita em detrimento da oralidade. Neste estudo, sigo essa linha de crítica à luz do pensamento decolonial para investigar como os gêneros orais são tratados no Sistema Estruturado de Ensino de Língua Portuguesa. O objetivo geral desta pesquisa pauta-se em examinar a abordagem didática dos gêneros orais no Sistema Estruturado de Ensino de Língua Portuguesa do 7º Ano, enquanto os objetivos específicos buscam: a) identificar as atividades propostas no Sistema Estruturado de Ensino voltadas ao ensino dos gêneros orais; b) analisar como essas atividades são estruturadas e articuladas no material didático e sua relação com o desenvolvimento das competências comunicativas dos estudantes; c) problematizar o trabalho com os gêneros orais a partir do pensamento decolonial, refletindo sobre sua presença, ausência e silenciamento no ensino de Língua Portuguesa; e d) elaborar e avaliar propostas de planos de aula para o ensino de gêneros orais, destacando sua aplicabilidade no desenvolvimento das competências comunicativas dos estudantes. Utilizando a metodologia de análise qualitativa, conforme Denzin, (2018), a pesquisa foca no conteúdo do material didático utilizado nas escolas da rede pública estadual de Mato Grosso. Os resultados indicam que o material proposto ainda se fundamenta em uma perspectiva estruturada e centrada na escrita, em detrimento da oralidade, que recebe menor ênfase no processo de ensino-aprendizagem. O currículo prevê atividades voltadas aos gêneros orais, porém sua aplicação ocorre de forma pontual e com pouca profundidade, o que limita o desenvolvimento efetivo das competências comunicativas. Essa realidade reflete a crítica de Dolz e Schneuwly (2004), que descrevem um ensino fragmentado, em que a oralidade não se conecta às práticas sociais dos alunos. A falta de práticas que integrem de forma equilibrada os gêneros orais e escritos no ensino pode restringir as oportunidades para o desenvolvimento pleno das competências comunicativas. Diante dessas problematizações, proponho uma prática pedagógica que valorize o ensino de gêneros orais no currículo. Para isso, é necessário promover um trabalho integrado entre escola e universidade, viabilizando uma ressignificação epistemológica que coloque o ensino de gêneros orais no centro das práticas educacionais, como sugere Silvestre (2017). Essa proposta não apenas amplia as habilidades comunicativas dos estudantes, mas também fomenta um espaço de fala e escuta cuidadosa, essencial para a construção de uma cidadania crítica e participativa. Contudo, a adoção dessa prática decolonial enfrenta desafios, exigindo mudanças significativas na formação docente e no planejamento curricular, o que pode encontrar resistência em um sistema educacional centrado em avaliações formais e na lógica da escrita. Além disso, a escassez de recursos e de tempo nas escolas públicas pode dificultar a implementação dessas mudanças. Em síntese, a valorização dos gêneros orais no ensino de Língua Portuguesa é uma questão de equidade e uma necessidade pedagógica. A integração sistemática e crítica da oralidade pode contribuir para uma educação mais inclusiva e alinhada aos desafios do século XXI, valorizando os saberes dos alunos e preparando-os para interagir de forma crítica e ativa na sociedade.
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PEDAGOGIAS DE GÊNEROS E SEXUALIDADES NAS NARRATIVAS DE MULHERES DO CAMPO EM MATO GROSSO
Autora: DANTIELY MARTINS FERREIRA
Resumo: Esta dissertação, vinculada ao grupo de pesquisa “Infância, Juventude e Cultura Contemporânea” (GEIJC) e pertencente ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis e à linha de pesquisa “Educação, Cultura e Diferenças” investiga como as pedagogias de gêneros e sexualidades atuam na constituição das subjetividades de mulheres do campo, a partir das narrativas de quatro participantes da Comunidade do Corguinho, localizada em Juscimeira, Mato Grosso. O estudo parte da problematização dos efeitos das normas de gênero e sexualidade, historicamente produzidas e sustentadas por sistemas coloniais, racistas, capitalistas, adultocêntricas e patriarcais, que atravessam os processos formativos, os saberes e os modos de vida dessas mulheres. A pesquisa está ancorada em uma abordagem qualitativa, interseccional, decolonial e crítica, dialogando com autoras como Judith Butler, Guacira Lopes Louro, Ochy Curiel, María Lugones, Kimberlé Crenshaw, Patricia Hill Collins, Saidiya Hartman e contribuições da Psicologia Social e Ambiental. Metodologicamente, o trabalho se desenvolveu por meio de entrevistas semiestruturadas e observação participante, assumindo a escuta das narrativas como instrumento central para compreender como essas mulheres significam suas experiências em relação às suas vivências, ao território, ao trabalho na terra e às relações familiares e comunitárias. As narrativas revelam que essas mulheres constroem formas próprias de resistência, pertencimento e afirmação de si que desafiam os modos hegemônicos de ser mulher, de viver enquanto mulheres rurais e de se relacionar com o mundo. Esta pesquisa propõe a noção de pedagogias encarnadas no cotidiano como forma de entender os processos de formação que ocorrem para além da escola, valorizando os saberes produzidos nas margens e reconhecendo o campo como espaço de subjetivação, liberdade e invenção. Ao fazer isso, contribui para uma crítica às pedagogias normativas e universais, defendendo uma educação comprometida com a diversidade, com o território e com os afetos. O estudo também aponta caminhos para pensar um bem viver, pensar na valorização das narrativas e memórias, bem como conhecer as realidades das mulheres rurais, questionando a invisibilização de suas histórias e saberes nas práticas educacionais tradicionais.
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COORDENADORES INICIANTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL DE PRIMAVERA DO LESTE-MT: UM OLHAR PARA A INSERÇÃO E A INDUÇÃO DOCENTE
Autora: DÁRLEN KARINA GOMES ALCÂNTARA
Resumo: A presente pesquisa está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Rondonópolis (ICHS/UFR), Mato Grosso, e ancorada à linha de pesquisa Política, Formação e Prática Educativa. Aponta como objeto de estudo o trabalho dos coordenadores pedagógicos iniciantes da rede municipal de Educação Infantil do município de Primavera do Leste/Mato Grosso. Está inserida no grupo de pesquisa InvestigAção e tem como questão de pesquisa: o que expressam as narrativas dos coordenadores pedagógicos iniciantes da rede municipal de Primavera do Leste/MT, acerca das práticas de acolhimento, inserção e indução junto a professores iniciantes nas instituições de Educação Infantil? O objetivo foi investigar o que expressam os coordenadores pedagógicos iniciantes no Município de Primavera do Leste, acerca de suas dificuldades e desafios no exercício da função, em relação aos professores em período iniciático na Educação Infantil. A metodologia adotou a pesquisa-formação, que contou com memoriais, os quais foram redigidos a partir de eixos selecionados coletivamente. Associou-se questionário online, Google Forms, com questões abertas e fechadas, cujo resultado revelou fragilidades em torno do trabalho do coordenador iniciante na escola, diante das demandas administrativas e institucionais. Acusou, também, a ausência de conhecimento sobre o processo de inserção e de indução na formação de professores e coordenadores. Diante desse fato, foi necessário subsidiálos quanto a essa temática, porque há intenção de que a escola propicie este tipo de atividade com os professores e coordenadores. Para tanto, foi proposto e desenvolvido, com aquiescência da gestão da Secretaria Municipal de Educação, um projeto de formação continuada com os coordenadores iniciantes, com o uso de narrativas que visava atender às necessidades formativas dos coordenadores iniciantes, ressaltadas nas atividades do projeto. Os resultados evidenciaram que os coordenadores se manifestaram adeptos a escreverem sobre suas dificuldades na função e salientaram a necessidade de formação continuada que os subsidiasse a trabalharem na proposta de indução com professores iniciantes de sua escola. Os memoriais se revelaram na pesquisa, como ótimo instrumento de coleta de dados por meio de narrativas.
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“PARECE ALGODÃO DOCE, PARECE DE UMA RAINHA”: EDUCAÇÃO INFANTIL E LITERATURA DE TEMÁTICA AFRICANA, AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA SOB A SOMBRA DE UM BAOBÁ
Autora: EDUARDA FURTADO DUARTE
Resumo: Este estudo, vinculado ao Grupo de Estudos Infância, Juventude e Cultura Contemporânea (GEIJC), parte da obrigatoriedade, estabelecida pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, de que as escolas considerem temáticas étnico-raciais afro-brasileiras, africanas e indígenas nos currículos da Educação Básica. Reafirmamos a importância do reconhecimento e da valorização identitária, cultural e histórica das infâncias negras e indígenas, fomentando a construção de práticas pedagógicas com crianças pequenas, comprometidas com a luta antirracista. Nesse sentido, com base na metodologia da Pesquisa-Intervenção com Crianças e nos aportes teóricos dos Estudos Sociais da Infância, da Afroperspectividade e das produções no âmbito da Literatura de Temática Africana, Afro-Brasileira e Indígena, esta investigação buscou criar um campo de escuta e produção coletiva de saberes sobre as relações étnico-raciais com crianças de 5 a 6 anos de uma turma da Educação Infantil da Rede Municipal de Rondonópolis/MT, por meio de contações de histórias afro-brasileiras, africanas e indígenas, rodas de conversa e produção de desenhos de autorretrato. Os objetivos específicos foram: investigar o uso da contação de histórias como prática suleadora de rodas de conversa com crianças pequenas e analisar os desenhos de autorretrato como ferramenta de apreensão dos processos de autoidentificação e heteroidentificação étnico-racial. As análises indicam que os três dispositivos se revelaram potentes: a contação de histórias como abertura para a escuta coletiva; os autorretratos como possibilidade de conexão com os processos identitários étnico-raciais; e as rodas de conversa como espaço-tempo de construção conjunta. Essas experiências manifestaram-se como práticas de resistência ao epistemicídio e ao silenciamento adultocêntrico dos saberes produzidos pelas crianças. Pudemos apreender, ainda, a potência da pesquisa de campo em contextos cotidianos da infância e a importância de uma aproximação sensível e cuidadosa com o território antes das intervenções. Reiteramos que práticas pedagógicas antirracistas não se encerram nos planejamentos ou nas leituras em roda: elas se ampliam nos modos de cuidar dos vínculos, de escutar os silêncios e as múltiplas formas de linguagem, ao se implicar com as subjetividades e processos identitários étnico-raciais das crianças. A escuta, o afeto e a participação ativa das infâncias se manifestam como trilhas potentes para fissuras nos pactos colonialistas e adultocêntricos, (re)afirmando outros modos de presença e de pertencimento nos cotidianos da Educação Infantil.
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GESTÃO DEMOCRÁTICA E EDUCAÇÃO DO CAMPO: ENTRE O LEGISLADO E O PRATICADO NO MUNICÍPIO DE ARIPUANÃ/MT
Autora: ELIKA OLIVEIRA DE LANA
Resumo: A pesquisa intitulada Gestão Democrática e Educação do Campo: entre o legislado e o praticado no município de Aripuanã-MT, está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis, na Linha de Pesquisa: Política, Formação e Práticas Educativas. É norteada pela seguinte questão problema: O que justifica uma lei de gestão democrática limitar a sua efetivação em escolas do campo com realidades particulares e distintas? É possível supor, de antemão, que esse tipo de lei impossibilita a implementação dos princípios da gestão democrática nas escolas? A opção metodológica adotada foi o ciclo de políticas de autoria Stephen Ball e Richard Bowe, com foco no conjunto de questões norteadoras para a análise da trajetória de políticas ou programas educacionais, com base nos três contextos do ciclo de políticas: o contexto de influência, o contexto da produção de texto e o contexto da prática. O objetivo principal da pesquisa foi analisar a política de gestão democrática da educação no munícipio de Aripuanã, os limites e possibilidades de sua aplicação nas escolas do campo a partir da lei nº 042/2009. Os objetivos específicos foram: Analisar a política de gestão democrática da educação, no município de Aripuanã; identificar os limites e possibilidades de aplicação dos princípios que norteiam o modelo de gestão democrática nas escolas do campo, no município de Aripuanã, verificando os desafios enfrentados e suas particularidades. Além da análise documental, foi necessário conhecer o contexto da prática dessas políticas por meio da pesquisa empírica realizada em duas escolas municipais do campo, no município de Aripuanã-MT, tendo a entrevista como principal instrumento de coleta de dados. Os sujeitos da pesquisa foram: o secretário municipal de educação, um diretor, um coordenador pedagógico da escola do campo, um representante de cada instituição do campo no município e um representante da comunidade escolar de cada escola participante. A partir dos estudos nesse caminho progressivo sobre gestão democrática e a educação do campo, destaca-se a necessidade da participação da equipe escolar e comunidade na elaboração de políticas específicas para a educação do campo, a fim de constituir, nas escolas, novas condições horizontais, com diálogo e participação, para fortalecer as instituições de ensino e possibilitar um ambiente que favoreça o ensino aprendizagem, sendo necessário que essas políticas cheguem ao contexto da prática e respondam às necessidades reais dos alunos e das comunidades do campo.
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TEATRO, SEXUALIDADE E EDUCAÇÃO: MEMÓRIAS, REFLEXÕES E NARRATIVAS AUTOBIOGRÁFICAS DE UMA ARTE-EDUCADORA EM (RE)CONSTRUÇÃO
Autora: ELISÂNGELA OLIVEIRA DOS SANTOS
Resumo: Esta pesquisa, realizou-se junto ao Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis (PPGEdu-UFR) na Linha de Pesquisa Educação, Cultura e Diferenças. O objetivo foi refletir a respeito das vivências da pesquisadora enquanto arteeducadora em suas aulas nos ambientes escolares, formais e não formais. A pergunta problema que moveu a pesquisa foi: como enfrentar os desafios da docência em Arte, utilizando o teatro como linguagem pedagógica, enquanto se reconhece e acolhe a própria trajetória marcada por adversidades e temas sensíveis? Ressalta-se o teatro entre as linguagens artísticas, com o intuito de enfatizá-lo como uma linguagem estética facilitadora na abordagem de temáticas como gênero e sexualidade, sendo ele capaz de proporcionar grandes transformações sociais que envolvem a subjetividade humana e contribuem nas reflexões e interpretações do cotidiano, de si mesmo e do mundo. O referencial teórico sustenta-se em pensamentos decoloniais e interseccionais para as questões de gênero, com Louro (2014) e Butler (2022); no que se refere a sexualidade Foucault (2022) e para tratar de educação Alarcão (2011), Ferreira-Santos e Almeida (2019), Freire (2023) e hooks (2017). Para uma análise crítica do fazer teatro e da função da arte na educação, respectivamente, Boal (2019) e Barbosa (2012). O método de escrita empregado é autobiográfico (Passeggi, 2020) em que a pesquisadora trará pequenos excertos de acontecimentos vivenciados durante as aulas de artes, e para isso emprega-se a abordagem hermenêutica de interpretação (Ricoeur, 1990) com a função de guiar a compreensão textual de maneira profunda, para que a pesquisadora seja capaz de deslocar-se da postura de neutralidade diante do que é posto, para uma postura compreensiva mais ativa, dinâmica e intensa. A pesquisa mostra que são inúmeros os desafios que o ensino da arte enfrenta, assim como reconhece também a relevância do teatro dentro da escola, manifestação que permite em muitos casos a abertura de caminhos para o diálogo com as diferenças e proporciona ambientes de criatividade e receptividade, desenvolve o pensamento crítico e reflexivo nos estudantes por ter uma função educativa e política. Conclui-se que a trajetória profissional da pesquisadora, como professora de arte, ao fazer uso do teatro, permite que aconteça uma relação de ensino e aprendizagem para o aluno, contribuindo para a construção de uma educação crítica, sensível e política em uma sociedade com diversidades e em constante transformação.
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O TRABALHO DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA NA FORMAÇÃO PERMANENTE CENTRADA NA ESCOLA NO CONTEXTO DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO DE MATO GROSSO
Autora: ELISANGELA RICCI
Resumo: Esta pesquisa, intitulada: O trabalho da coordenação pedagógica na formação permanente centrada na escola no contexto da política de educação de Mato Grosso, versa sobre como vem atuando a coordenação pedagógica em relação ao processo de formação permanente, mediante a proposta efetivada pelo estado de MT ao longo dos últimos dez anos. Ainda, a relação do seu papel fundamental no aperfeiçoamento da práxis pedagógica, principalmente, na implementação de ações para uma prática reflexiva diante da “plataformização” cursos realizados em plataformas digitais, que distanciam o professorado do coletivo e da dialogicidade, que vem se incorporando ao processo de formação de professores. O objetivo geral consiste em, pesquisar como está a atuação da coordenação pedagógica em relação a formação continuada em uma escola pública estadual em Mato Grosso, se ocupando da reflexão crítica diante da mercantilização/privatização da formação continuada do/da docente. O método escolhido que subsidiará esta pesquisa é o dialético-dialógico por desvelar as contradições implícitas nesse espaço tão diversificado no qual se encontra a educação pública. Por meio de uma abordagem qualitativa, com enfoque metodológico de concepção sócio-crítica baseia-se na ação de inter-relação dialética entre o objeto de pesquisa, seus participantes e o contexto social, político e ideológico que os cerca. A inserção desse método, sob a influência do pensamento freiriano, revela-se uma escolha embasada na práxis, na dialogicidade, reflexão e contraposição de ideias. Somados aos pressupostos de Paulo Freire se incorporarão ao trabalho Imbernón, Franco, Selma G. Pimenta, Isaneide Domingues, Márcia Regina Canhoto de Lima, Ademar de Lima Carvalho, Libâneo, entre outros. Tem como lócus a Escola Estadual Prof. Alda Gawlinski Scopel, que a partir de 2023 se tornou de tempo integral, está situada na região central do município de Primavera do Leste – MT. Como instrumentos de coleta de dados foram selecionados entrevistas semiestruturadas, análise documental, observação dos momentos de estudos das/dos professoras/professores e para análise dos dados colhidos nas entrevistas, a produção de três cartas pedagógicas inspiradas nas obras de Freire, nas quais foram expressadas as vozes dos 5 (cinco) participantes. Observa-se, nos resultados, a desconfiguração das atribuições da coordenação pedagógica na retirada da formação com o coletivo na perspectiva do desenvolvimento humano, com a subtração dos momentos de diálogo por qualificação técnica em plataformas virtuais; a valorização da quantidade em detrimento da qualidade; falta de autonomia escolar; e considerando o cenário político e educacional de Mato Grosso, o projeto político-pedagógico como fundante para garantia e manutenção dos direitos previstos.
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ALFABETIZAÇÃO NA PERSPECTIVA CIDADÃ: ANÁLISE DA POLÍTICA CURRICULAR E DO MATERIAL ESTRUTURADO DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE RONDONÓPOLIS
Autora: EUNICE CARDOSO LAURIANO FERREIRA
Resumo: Esta dissertação, fruto de uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis, focaliza na concepção de alfabetização na perspectiva cidadã na política curricular e no material estruturado de ensino da Rede Municipal de Ensino de Rondonópolis, Mato Grosso, destacando a relevância da organização curricular, dos materiais pedagógicos e das concepções de educação para a formação integral do sujeito crítico, analítico e atuante na sociedade, preparado para fazer uso social da leitura e da escrita. Essa pesquisa está vinculada às discussões em linguagem e busca responder às seguintes questões: Que concepção de alfabetização é assumida pela Diretriz Curricular Municipal (DCM)? Essa concepção pode ser evidenciada no MEE das turmas do 1º e 2º anos do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Rondonópolis? De que forma tal concepção direciona para uma alfabetização na perspectiva cidadã? Assim, define como seu objetivo geral o de analisar o Material Estruturado de Ensino (MEE) utilizado por estudantes do 1º e 2º anos do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Rondonópolis, considerando as políticas educacionais que direcionam a produção de materiais pedagógicos, de modo a identificar as concepções de alfabetização que perpassam o MEE e as políticas públicas curriculares, especialmente aquelas que se direcionam para uma alfabetização na perspectiva cidadã. Para tanto, esta investigação busca identificar, na DCM e no MEE, a fundamentação teórica e sua possível relação com uma alfabetização na perspectiva cidadã; investigar, no MEE, se as propostas metodológicas foram elaboradas com vistas a uma alfabetização na perspectiva cidadã; refletir, a partir das análises constituídas, sobre que caminhos podem ser assumidos pelos pedagogos para a realização de uma alfabetização na perspectiva cidadã. A metodologia é de abordagem dentro da perspectiva qualitativa e do tipo documental, pois estamos tratando e analisando a DCM e o MEE como documentos. As investigações se ancoram nos estudos de Bakhtin (2011, 2016), Fairclough (2016), Freire (2018), Ferreiro e Teberosky (1999), Marcuschi (2008), Mortatti (2004); Vygotsky (2007); Soares (2020, 2021, 2022) e outros. Almejar o rompimento definitivo da pedagogia tradicional parece pretensioso, contudo, não é possível negar a intenção de requerer essa iniciativa nos anos iniciais da educação, de maneira que, dentro de um determinado período, a transformação aconteça na educação como um todo, e que a alfabetização na perspectiva cidadã não seja um sinônimo de rebeldia, mas sim de política pública.
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O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES/AS: O PROCESSO FORMATIVO DE UMA ESCOLA DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE POXORÉU-MT
Autora: GRACIELA MORAES DE SOUZA
Resumo: O presente texto é fruto dos estudos realizados no curso de mestrado em Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFR, integrado à linha de pesquisa “Política, Formação e Prática Educativa”, intitulado “O PPP e a formação de professores/as: o processo formativo de uma escola da rede pública estadual de Poxoréu-MT”. Inserida na modalidade qualitativa, na perspectiva dialética e dialógica freiriana fundamenta o método de investigação. Este estudo apoia-se nos referenciais teóricos de autores como Carvalho (2008); Deslandes et al. (1994); Domingues (2014); Franco (2012); Freire (1997, 2013, 2021, 2022, 2023); Ghedin e Franco (2011); Godoy (1995); Henz (2015); Imbernón (2009); Lima (2010), Pinto (2011); Veiga (2013), entre outros. A investigação ocorreu em uma escola pública da rede estadual, do município de Poxoréu/MT. Participaram desta pesquisa uma coordenadora pedagógica, a direção escolar e quatro docentes, selecionados por estarem envolvidos na práxis da formação docente. Como questão de pesquisa, busca-se investigar se a formação docente presente no PPP da escola investigada atende aos anseios que os docentes evidenciam na prática pedagógica. Assim sendo, tem-se como objetivo geral analisar as relações existentes entre as aspirações dos docentes, no que diz respeito ao processo formativo, e o Projeto Político-Pedagógico (PPP) dessa cidade mato-grossense. O diálogo com os participantes da pesquisa apresenta o cenário atual da escola em relação ao processo formativo no PPP. Os dados, coletados a partir de questionários semiestruturados, evidenciam diversas variáveis em relação ao PPP, que é um instrumento de gestão escolar e uma ponte para a formação de professores. Essas variáveis também refletem a política pública de Mato Grosso, que dispõe sobre a constituição do PPP e a formação continuada de professores. Os resultados da pesquisa evidenciam que a política de governo do estado de Mato Grosso, especialmente nos últimos cinco anos, segue parâmetros neoliberais e incorpora elementos do gerencialismo na criação de diretrizes para a constituição do Projeto Político-Pedagógico (PPP) e a formação continuada de professores na rede estadual. As ações centralizadas pelo órgão governamental enfraquecem a autonomia da comunidade escolar na elaboração de um projeto educativo voltado à sua realidade. A parametrização das orientações, padronizadas para todas as escolas da rede estadual de MT, descaracteriza a finalidade do PPP que é promover o envolvimento democrático de todos os agentes educacionais na construção de um projeto que possibilite a formação continuada centrada na escola na perspectiva da transformação da realidade e melhoria da qualidade do processo de ensino e aprendizagem do estudante. As formações de professores previstas no PPP da escola investigada não potencializam o trabalho pedagógico, pois não atendem às expectativas dos professores. Essas formações não partem da identificação de suas necessidades formativas, quando disponibilizadas em plataformas digitais como pacotes prontos, de forma verticalizada, sem diálogo prévio com as equipes das unidades escolares. Além disso, essas formações integram um programa de governo cuja realização está condicionada ao recebimento de uma gratificação anual, caracterizando uma administração meritocrática. Ou seja, professores e demais profissionais da educação que cumprem as metas estabelecidas pelo governo recebem uma gratificação ao final do ano. Observa-se, portanto, que o PPP, instrumento que deveria organizar a formação continuada dos professores e, ao mesmo tempo, contribuir para a formação da comunidade escolar, não se configura como um documento construído pela coletividade, tampouco centrado nas necessidades formativas dos docentes.
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DISPUTAS PARA SIGNIFICAR O QUE É ALFABETIZAR E O QUE É SER PROFESSOR ALFABETIZADOR: UMA ANÁLISE DAS CONTINGÊNCIAS NA POLÍTICA CURRICULAR DE PRIMAVERA DO LESTE (MT)
Autora: KELLY JOANA FERREIRA
Resumo: Esta pesquisa foi elaborada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu), Área de Concentração Educação, Cultura e Processos Formativos, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), na Linha de Pesquisa Formação de Professores e Políticas Públicas Educacionais do Mestrado em Educação e está vinculada ao grupo de pesquisa Políticas de Currículo e Alteridade1 (http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/563404). A discussão está fundamentada na teoria do discurso de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, e na teorização curricular pós-estrutural, assumindo como noções centrais discurso, contingência e subjetivação. O problema investigado é: considerando a universalidade impossível no social, que sentidos disputam a significação de uma identidade para o professor alfabetizador na articulação discursiva que constitui a política curricular para a alfabetização de Primavera do Leste (MT)? O objetivo geral foi interpretar, na articulação discursiva que constitui a política curricular para a alfabetização de Primavera do Leste (MT), os sentidos que disputam a significação de uma identidade para o professor alfabetizador para problematizar a hegemonia pela qual a identidade do alfabetizador não se realiza. Para o trabalho estratégico (metodológico) de investigação, foram definidos como objetivos específicos: 1. identificar sentidos de alfabetizar e de ser professor alfabetizador na produção acadêmica da área, considerando diferentes tradições educativas que, historicamente, disputam sentidos que circulam nas políticas; 2. discutir as características da política curricular e das orientações para os professores nos documentos curriculares (nacionais, do estado de MT e de Primavera do Leste que normatizam a alfabetização, buscando entender as contingências que marcam a política e 3. problematizar sentidos privilegiados (hegemônicos) de ser professor alfabetizador na política local que, por meio de atos de poder, produzem processos de identificação docente que seguem tensionados pela precariedade e pela diferença. A empiria foi composta por discursos produzidos sobre alfabetização e como materiais de consulta faz uso de documentos oficiais (textos políticos) – como a Base Nacional Comum Curricular – BNCC (Brasil, 2017) e a Cartilha Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (Brasil, 2023), o Alfabetiza Primavera do Leste (Primavera do Leste, 2023) e o Alfabetiza MT (Mato Grosso, 2023), entre outros. Um levantamento da produção acadêmica na Revista da Associação Brasileira de Alfabetização (ABAlf) foi realizado para realçar a discussão sobre políticas na área. Quanto à discussão das atuais políticas, sua principal característica é como tentam controlar para elevar índices de aprendizagem, defendo a aprendizagem como direito. Assumi a impossibilidade de um fechamento total da significação, visto que todo é discurso se apresenta como uma expectativa de fechamento da plenitude ausente no social, como uma interpretação definitiva das coisas. Demonstrei como as políticas de alfabetização são, atualmente, organizadas como políticas de avaliação. Embora elas busquem cercear os conteúdos, os planejamentos, o uso de materiais, a formação do professor e comprovar (prestar contas) os resultados, como se resultados de avaliações padronizadas fossem sinônimo de qualidade da educação ou da alfabetização, elas não são capazes de excluir a experiência, os saberes, as relações, a pluralidade das alfabetizações nas escolas do país. A avaliação se apresenta como uma estratégia essencial para regular mais, controlar mais, projetando, mas não sem contestações e diferença, os docentes como técnicos, uma vez que ela passa a orientar e definir quais habilidades/conhecimentos deverão ser ensinados para serem cobrados nos processos avaliativos. O professor alfabetizador que é desejado é aquele que aplica procedimentos e materiais em que sentidos restritos de alfabetização como decodificação são privilegiados, em detrimento de sentidos de alfabetização como prática social multifacetada, de letramentos plurais, práticas sociopolíticas. Considero importante ao debate realçar a necessidade de políticas educacionais que reconheçam a pluralidade de formas de alfabetizar e valorizem a experiência docente como elemento central na construção do currículo, sem tentar prescrevê-las.
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A POLÍTICA DE FORMAÇÃO DOCENTE CENTRADA NA ESCOLA NO MUNICÍPIO DE JUSCIMEIRA – MT
Autora: LAURA BRANDALISE BORGES
Resumo: Esta dissertação apresenta os resultados de uma pesquisa de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), integrada à Linha de Pesquisa “Política, Formação e Prática Educativa”. A questão principal da pesquisa é: Quais desafios os professores encontram para desenvolver, na prática, a política de formação centrada na escola, na rede municipal de ensino de Juscimeira/MT? O objetivo principal consiste em compreender o processo de formação centrada na escola, na rede municipal de Juscimeira. Para atingir o objetivo principal temos os seguintes objetivos específicos: analisar a política de formação continuada praticada na escola, no município de Juscimeira – MT; descrever como se desenvolve a formação continuada pela escola no município de Juscimeira – MT e identificar os desafios encontrados pelos professores, para a realização da formação centrada na escola em Juscimeira – MT. Quanto aos referenciais teóricos utilizados, privilegiou-se os que sustentam a prática da formação centrada na escola, como: Freire (1996), Imbernón (2009), Carvalho (2017, 2019), Tardif (2002) e Pimenta (2002). A pesquisa utiliza a perspectiva freiriana do método Dialético-dialógico para a interpretação e compreensão da realidade pesquisada, integrando as partes que compõem o todo e identificando as contradições existentes. Como lócus da pesquisa, elegeu-se a Escola Municipal Monteiro Lobato, na sede do município de Juscimeira – MT. A escolha deve-se ao fato de concentrar maior número de professores em exercício da docência. Participaram da pesquisa dois professores que atuam no Primeiro Ciclo do Ensino Fundamental e dois que atuam no Segundo Ciclo, os quais foram selecionados por serem considerados um número adequado para a pesquisa. Para a coleta de dados, foram usadas a análise documental e as entrevistas semiestruturadas, propiciando um entendimento da temática em tela. Os resultados da pesquisa demonstram que existem trocas de experiências entre as professoras nos espaços destinados à formação centrada na escola, na rede municipal de ensino de Juscimeira. Entretanto, se identifica um descompasso entre a formalidade dos documentos e a realidade dos professores, denotando falhas comunicativas e de execução das diretrizes formativas. Existem desafios a serem enfrentados, como o tempo escasso para as formações, a dependência da Diretoria Regional de Educação de Rondonópolis, a falta de coerência entre as políticas públicas e as verdadeiras necessidades das escolas e dos educadores. Assim, pode-se dizer que esta formação ainda não se consolidou como suporte à prática docente, para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem praticado na escola.
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TECNOLOGIAS ASSISTIVAS PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA EFORMAÇÃO PARA CIDADANIA AOS ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIAVISUAL: ANÁLISE DA PRODUÇÃO ACADÊMICA (2015-2023)
Autora: LIANDRINA DE OLIVEIRA PEREIRA
Resumo: Esta investigação vinculada à linha de pesquisa Política, Formação e Práticas Educativas doPrograma de Pós-Graduação em Educação, do Instituto de Ciências Humanas e Sociais daUniversidade Federal de Rondonópolis, buscou analisar as produções acadêmicas brasileirasdo período de 2015 a 2023, que discutem sobre tecnologias assistivas no ensino deMatemática para estudantes com deficiência visual, quanto às metodologias e estratégiasindicadas e suas colaborações na construção da cidadania dos estudantes com deficiência.Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, cujo corpus de análise são dissertações e teses docampo da educação matemática que discutem sobre tecnologias assistivas, publicadas entre2015 e 2023. No percurso metodológico realizou-se buscas no Catálogo de Teses eDissertações da CAPES, utilizando os descritores “tecnologias assistivas”, “matemática” e“deficiência visual”, resultando em 14 produções acadêmicas para serem analisadas. Comodiscussão e análise, em um primeiro momento, expôs-se a contribuição das tecnologiasassistivas para o processo de ensino e aprendizagem de estudantes com deficiência visualevidenciadas pelas 14 produções encontradas. Em um segundo momento, caracterizou-se aprodução acadêmica brasileira, do período 2015-2023, sobre o uso de tecnologias assistivaspara o ensino de Matemática aos estudantes com deficiência visual a partir de fundamentosteóricos freirianos sobre educação para a cidadania. As principais tecnologias assistivasidentificadas no corpus de análise foram: materiais didáticos táteis (formas geométricas,gráficos em relevo), ábacos adaptados para os estudantes com deficiência visual, softwaresleitores de tela e sintetizadores de voz, impressoras Braille e produção de livros em Braille. Ouso destas tecnologias facilita a abstração matemática, proporciona a inclusão de práticasacessíveis no planejamento pedagógico, valoriza a autonomia do estudante com deficiênciavisual e possibilita o envolvimento da escola na formação cidadã do estudante. Apesar detamanha importância na formação dos estudantes, ainda são poucas escolas quepossuem/utilizam dessas tecnologias assistivas. Aponta-se, ainda, a baixa produção depesquisas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, evidenciando a carência depesquisas e práticas disseminadas, revelando a necessidade de incentivar mais estudos epublicações na área; ampliar políticas públicas de acessibilidade e a oferta de formaçãocontinuada para professores.
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O GERENCIALISMO NA POLÍTICA EDUCACIONAL DE MATO GROSSO (2017–2024): discursos em disputa, lógicas e efeitos
Autora: LUZITÂNIA TAMANHO LOPES DE ASSUNÇÃO
Resumo:
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PRÁTICAS DE LETRAMENTO DIGITAL MIDIÁTICO: reflexões acerca do ensino de história nas tramas da linguagem
Autora: MARIA HELOÍSA DE MORAES CURVO
Resumo: Esta dissertação investiga os desafios e as possibilidades do letramento digital e midiático na prática docente da disciplina de História, a partir de uma revisão bibliográfica que analisa contribuições teóricas atuais sobre o tema. O estudo tem como objetivo compreender como os professores enfrentam as dificuldades para integrar as mídias digitais ao ensino, bem como identificar estratégias que possam favorecer uma educação crítica e significativa para os estudantes. A pesquisa destaca que, apesar das limitações estruturais e institucionais presentes no contexto escolar, a educação midiática se revela indispensável para o desenvolvimento das competências críticas e reflexivas dos alunos. Além disso, ressalta-se a importância de uma formação docente adequada, capaz de orientar o uso consciente e ético das tecnologias, promovendo uma relação construtiva entre alunos, professores e o ambiente digital. Por fim, conclui-se que a incorporação das mídias no ensino de História pode potencializar o processo de aprendizagem e a formação cidadã, desde que as barreiras sejam enfrentadas por meio de políticas educacionais, formação continuada e práticas pedagógicas inovadoras.
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USO DA TRADUÇÃO PEDAGÓGICA NO ENSINO DA LÍNGUA EM ESCOLA NO CAMPO: POSSIBILIDADES PARA A QUINTA HABILIDADE
Autora: MARIA INÊS DE FARIAS OLIVEIRA
Resumo: A pesquisa “Uso da Tradução Pedagógica no ensino da língua em escola no campo: possibilidades para a quinta habilidade” encontra-se relacionada ao Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis, Grupo de Estudos e Pesquisas em Práticas de Educação e Linguagem – GEPPEL, associada ao Projeto Tradução Pedagógica e o Ensino de Língua Inglesa na linha de pesquisa Linguagem, Educação e Cultura/UFR. O objetivo é refletir se a Tradução Pedagógica contribui na aprendizagem da língua estrangeira (Inglês). Apresentamos a pesquisa no ensino de língua estrangeira com base em aportes teórico-metodológicos da Tradução Pedagógica, numa escola pública estadual de Mato Grosso. Discorremos sobre os conceitos de Tradução Pedagógica (Leonardi, 2010; Laviosa, 2014; Gutiérrez, 2018, 2022; Linguística de Corpus (Johns, 1991, 2002; Berber Sardinha, 1999, 2000, 2003, 2004), educação (Freire, 1986, 1997, 2003, 2004), entre outros teóricos utilizados na análise da pesquisa. O estudo em pauta foi uma pesquisa qualitativa e situou-se na área de Língua Inglesa, com enfoque no ensino da Tradução Pedagógica, desenvolvido em duas etapas, com o intuito de observar, na sala de aula, uma turma do 7º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública estadual do Mato Grosso, para constatar como o(a) professor(a) utilizaria a Tradução Pedagógica como quinta habilidade no ensino de língua nas atividades de Inglês, empregando Corpora on-line. O livro New iLearn English 2 Student’s Book/Secretaria de Educação de Mato Grosso foi usado na pesquisa. Na primeira etapa foram aplicados aos estudantes dois questionários fechados, um antes de iniciar e outro após o desenvolvimento da pesquisa. Por meio do recolhimento dos dados foi possível verificar a opinião dos estudantes acerca do ensino da língua inglesa e da Tradução Pedagógica. Os professores responderam a dois questionários abertos, antes e depois da pesquisa. A segunda etapa da pesquisa analisou e discutiu os dados levantados, com suporte nos documentos e referenciais teóricos que viabilizaram a concretização da pesquisa. A partir dos dados da experiência de observação, análise e discussão dos dados, percebemos que a Tradução Pedagógica beneficia os estudantes na aprendizagem da língua inglesa, uma vez que a Aprendizagem Movida por Dados visa o protagonismo dos estudantes e oportuniza desenvolver essa nova habilidade, sendo considerada uma grande potencialidade de trabalho na aula de língua estrangeira. No contexto da escola na modalidade Educação do Campo, a aula de língua inglesa configura-se como um espaço de contato do aluno não apenas com um código linguístico distinto do seu idioma materno, mas também, e primordialmente, como uma oportunidade de acesso a um leque diversificado de culturas estrangeiras. Este trabalho se torna relevante na medida em que o estudante desenvolve a habilidade de atuar como protagonista de sua própria aprendizagem, ao acessar coletâneas de textos autênticos, que possibilitam a investigação da língua em uso.
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EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS E NEGACIONISMO CIENTÍFICO NO BRASIL: ANÁLISE E REFLEXÕES A PARTIR DE PRODUÇÕES ACADÊMICAS NO PERÍODO DE 2018 A 2024
Autora: MARIANA POLON DE CARVALHO CALDEIRA
Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo investigar as abordagens e soluções propostas em produções acadêmicas brasileiras na área de Ensino de Ciências, entre 2018 e 2024, para o enfrentamento ao negacionismo científico na formação de professores e estudantes no Brasil. A pesquisa explora a seguinte questão central: de que maneira as produções acadêmicas brasileiras têm contribuído para a formação de professores e estudantes no contexto do Ensino de Ciências? O recorte temporal escolhido está intimamente ligado à pandemia de Covid-19, considerando sua relação com o aumento das fake news relacionadas à ciência. Metodologicamente, esta pesquisa é classificada como descritiva exploratória, de natureza exclusivamente bibliográfica e qualitativa, direcionada à educação. Para a análise dos dados coletados, foi utilizado o método de Análise Textual Discursiva (ATD), que focaliza três categorias principais: a abordagem e compreensão do negacionismo científico no contexto da Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS); as soluções propostas para o enfrentamento do negacionismo, com a identificação e análise de estratégias e abordagens educacionais que visam combater o negacionismo científico, especialmente no contexto do ensino de Ciências nas escolas e na formação de professores; e as concepções e relações acadêmicas sobre negacionismo científico, pseudociências e anticientificismo no Brasil. As análises realizadas indicam uma evidente conexão entre o avanço das narrativas negacionistas e o contexto político a partir de 2018, intensificado com a pandemia de Covid-19. Observa-se um aumento significativo na produção de trabalhos acadêmicos a partir de 2021, com destaque para o ano de 2023, revelando o crescimento do interesse da comunidade científica em compreender e combater o fenômeno. Além disso, constata-se que as discussões sobre o negacionismo científico ainda são incipientes na Educação em Ciências, apontando lacunas nos currículos e na formação docente inicial e continuada. Destacam-se, também, propostas que envolvem a alfabetização científica, o uso crítico das mídias digitais, a divulgação científica e a adoção de metodologias que tornam o ensino mais contextualizado, reflexivo e próximo da realidade dos estudantes. Por fim, o estudoreafirma a urgência de articular diferentes esferas – escolas, universidades, políticas públicas e meios de comunicação – na construção de uma educação científica comprometida com a democracia, a justiça social e a emancipação dos sujeitos.
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A PEDAGOGIA PARTICIPATIVA E A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: NARRATIVAS DE PROFESSORES DO MUNICÍPIO DE RONDONÓPOLIS-MT
Autora: MICHELE CRISTINA FERREIRA POMBO
Resumo: A presente pesquisa vincula-se ao Programa de Pós-Graduação em Educação no Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Rondonópolis – MT (PPGEdu/UFR), na linha de pesquisa Política, Formação e Práticas Educativas e inserida no Grupo de Pesquisa InvestigAção. Discute-se, nesta pesquisa, a Pedagogia Participativa centrada na seguinte questão: Como a Pedagogia Participativa é compreendida e desenvolvida na ação pedagógica, por professoras da Rede Municipal de Educação de Rondonópolis, junto às crianças da
Educação Infantil? Teve-se como objetivo: analisar, por meio de narrativas autobiográficas, como a Pedagogia Participativa é compreendida e vivenciada por professoras da Educação Infantil. Para tanto, elencaram-se os seguintes objetivos específicos: apresentar e discorrer como a Pedagogia Participativa é compreendida pelas professoras da Educação Infantil; identificar as práticas de participação que são desenvolvidas na ação pedagógica expressadas nos relatos autobiográficos; analisar se as ações pedagógicas desenvolvidas pelas professoras propiciam a participação ativa das crianças como previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI, 2010). Para o desenvolvimento desta análise, assumiu-se a Pesquisa Qualitativa, na perspectiva das narrativas autobiográficas. Para esse intuito, os principais instrumentos metodológicos foram o Memorial de formação e a Entrevista Narrativa, ambos como dispositivos de geração de dados narrativos, com foco em escutar às professoras da Educação Infantil sobre a compreensão construída ao longo de sua formação, sobre a Pedagogia Participativa e suas vivências na ação pedagógica junto às crianças. Para o acompanhamento da entrevista narrativa, foi utilizado o Diário de Campo da pesquisadora e a análise das narrativas autobiográficas apoiou-se na metodologia compreensiva-interpretativa das narrativas geradas. A pesquisa revelou que, embora as professoras demonstrem interesse e possuam uma compreensão inicial dos fundamentos da Pedagogia Participativa, suas práticas ainda se encontram atravessadas por barreiras institucionais e pelas tensões entre o discurso e as ações concretas da gestão escolar. Todavia, cientes da importância de romper com as práticas tradicionais e possibilitar a participação efetiva das crianças, dão indícios de que estão abertas à novas aprendizagens e a um novo fazer pedagógico que respeitem as infâncias, que propiciem a participação e que favoreça a construção de contextos educativos mais humanos, respeitosos e democráticos.
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O ENSINO DE FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO E OS EFEITOS DAS LEIS Nº 10.639/2003 E 11.645/2008: REFLEXÕES A PARTIR DAS PERCEPÇÕES DE PROFESSORES DE FILOSOFIA DE RONDONÓPOLIS-MT
Autor: NEUZIMAR SANTANA CAMPOS E SILVA
Resumo: A presente pesquisa tem como temática a educação para as relações étnico-raciais, tendo como objeto de estudo o ensino de Filosofia. As leis reparadoras nº 10.639/2003 nº e 11.645/2008, promulgadas, respectivamente, há 22 e 17 anos, tornaram obrigatórios o ensino da história e culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas. Tais leis implicam tanto a reforma dos currículos do Ensino Superior (formação de professores) quanto da Educação Básica, assim como as práticas educativas numa perspectiva antirracista. Esta investigação justifica-se por estar embasada no desejo e na busca pela justiça social com as próximas gerações de todos os pertencimentos, vítimas da política de morte (necropolítica) pela “empresa colonialista” e pela permanência da colonialidade. A problemática da pesquisa pode ser descrita como: quais foram/são os efeitos das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 no ensino de Filosofia no Ensino Médio? Esses efeitos seriam semelhantes ou distintos se comparados ao ensino de Filosofia nas redes públicas e privadas de Rondonópolis-MT? O objetivo geral da pesquisa é analisar as implicações das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 no currículo e no trabalho educativo dos professores de Filosofia que atuam no Ensino Médio nas redes públicas e privadas de ensino de Rondonópolis-MT. Assim, os objetivos específicos estipulados para a investigação são: refletir acerca do epistemicídio na Filosofia e suas implicações para a formação de professores e o ensino de Filosofia; apreender as perspectivas decoloniais em Filosofia a partir da matriz africana e afro-brasileira e suas potencialidades para o ensino de Filosofia no Ensino Médio; analisar a percepção dos professores de Filosofia do Ensino Médio nas redes de ensino pública e privada de Rondonópolis-MT quanto aos efeitos legais da legislação para a superação do epistemicídio. A pesquisa é de natureza qualitativa com estudo comparado nas redes públicas e privadas de Rondonópolis-MT. A investigação está compreendida com base no estudo teórico e documental, bem como empírica, realizada em escolas públicas e privadas do município de Rondonópolis-MT, envolvendo quatro participantes, professores de Filosofia do Ensino Médio. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário eletrônico, sendo a análise realizada com o método de análise de conteúdo. Os resultados da pesquisa apontam para a existência de um silenciamento do ensino de Filosofia africana e afro-brasileira na sala de aula e no currículo implementado para o Ensino Médio, mesmo após respectivamente, 22 e 17 anos da aprovação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, para aplicação da educação das relações étnico-raciais no Ensino Médio brasileiro.
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PEDAGOGIAS DA BRANQUITUDE: IMPACTOS PRODUZIDOS NAS CONSTRUÇÕES SUBJETIVAS E IDENTITÁRIAS DE MULHERES NEGRAS
Autora: RAQUEL DIAS AMARO
Resumo: No Brasil, a tessitura social é estruturada pelas normativas da colonialidade e da necropolítica, nas quais a branquitude ocupa e reproduz, historicamente, posições de poder. A respeito disso, Cida Bento (2022) afirma que existe um pacto da branquitude, o qual é responsável por arquitetar o esquecimento proposital das barbáries cometidas pelos brancos no período escravista brasileiro, como forma de isentá-los das responsabilidades e dívidas históricas. Essa herança escravocrata perpassa toda a conjuntura social, estruturando a sociedade, os contextos educativos, a mídia, a geopolítica, a economia, a ciência, o direito à memória e até mesmo as subjetividades. Frente a esta incontestável realidade é que esta pesquisa se origina, pautando problematizações advindas das relações étnico-raciais e de gênero, com o intuito de questionar como dispositivos branco/cis/hetero/normativos, gerados no âmbito de uma educação estruturada na colonialidade, na branquitude, no capitalismo, na meritocracia e em normativas de gênero, produzem subjetividades e identidades de mulheres negras. Nesse sentido, o objetivo principal deste trabalho é trazer para o campo da psicologia e da educação, reflexões críticas, políticas e epistemológicas acerca das necromemórias e das pedagogias da branquitude, além de investigar como elas operam diretamente na construção subjetiva de mulheres negras e problematizar os impactos dessa estrutura racista em nossas vivências. Dessa forma, os recursos teóricos e metodológicos utilizados para sustentar as discussões evocadas neste estudo — referentes às construções históricas, políticas e sociais que viabilizam o projeto colonial da branquitude e aos processos educativos sociais, escolares, afetivos, familiares e seus impactos na educação das relações étnico-raciais —, foram dialogados especificamente entre autorias negras, sendo alguns deles/as: Vandelir Camilo (2020) a respeito da necromemória; epistemes do feminismo negro e interseccional com Díaz-Benítez e Mattos (2019) para demarcar os atravessamentos sociais analisados e Neuza Souza (2021) para pensar a subjetividade negra. Por conseguinte, esta pesquisa possui caráter qualitativo, na qual proponho narrar minhas memórias de vida, ancoradas na abordagem teórico-metodológica da escrevivência, conceituada por Conceição Evaristo (2017), a qual fundamenta-se no registro, de maneira escrita, das vivências individuais, sob o ponto de vista memorial do cotidiano, e os entrelaçamentos que elas possuem com as estruturas sociais. Foi nessa perspectiva que trouxe para o espaço academicista os “brancos” da minha memória, referentes à falta de pertencimento e identificação racial provocadas pelas pedagogias da branquitude, colocando em cena partes da minha vivência individual/social como recorte de análise metodológica para denunciar um esquema projetado para atingir muitas outras mulheres negras brasileiras. Afinal, para Evaristo, as experiências pessoais possuem características subjetivas e, a partir do aparato de suas escritas, pessoas negras têm a possibilidade de ocuparem espaços, ressignificarem suas histórias e enfrentarem o sistema colonial — recurso com o qual me identifico e faz sentido na minha trajetória pessoal e acadêmica.
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POLÍTICAS DE CURRÍCULO PARA LÍNGUA ESPANHOLA: ABORDAGEM ÀS DEMANDAS DO MOVIMENTO #FICAESPANHOL NA BNCC
Autora: RENATA MARTINS GORNATTES
Resumo: Desde o final de 2016, com as modificações implementadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), docentes de Língua Espanhola têm se mobilizado para resistir à exclusão desta disciplina enquanto componente curricular obrigatório. O movimento mais relevante é o #FicaEspanhol, que, desde sua criação, busca formas de garantir a presença da língua não apenas na BNCC, mas também em realidades regionais por meio de projetos de lei e propostas de emenda à Constituição. Essas movimentações foram possíveis a partir da articulação de demandas que questionam a Base, a qual provoca o fechamento de identidades a partir da tentativa de controle do que ensinar nas escolas e quais disciplinas/identidades têm potencial para figurar como obrigatórias; em outras palavras, a Base adota uma perspectiva de currículo impositiva. Por meio dessas considerações, busco problematizar, nesta pesquisa, o Movimento #FicaEspanhol como povo disciplinar cujas demandas se organizam contra uma ameaça, qual seja, a exclusão do Espanhol como disciplina obrigatória na BNCC e a restrição de ensino de outras línguas estrangeiras, comprometendo políticas curriculares que fomentem o plurilinguismo. Sendo assim, o objetivo geral deste trabalho é problematizar, a partir da teoria do discurso, o Movimento #FicaEspanhol como resposta na política curricular para o ensino de línguas estrangeiras em que se constitui a BNCC. Tem como objetivos específicos: a) abordar as demandas articuladas no #FicaEspanhol em suas defesas ao retorno da Língua Espanhola como componente obrigatório na BNCC; b) compreender o #FicaEspanhol como povo disciplinar constituído em resposta na política da BNCC; c) problematizar como essas demandas são significadas e interpretadas nas produções acadêmicas sobre o Movimento, na BNCC e no contexto de discussão do Projeto de Lei nº 5230/2023, que buscou não apenas tornar o Espanhol obrigatório, mas abriu precedentes para o ensino de outras línguas diferentes do Inglês e do Espanhol, atendendo aos interesses e demandas de cada comunidade. Trata-se de uma pesquisa orientada ao problema, cujo corpus se compõe de 12 pesquisas – sobretudo artigos – sobre o Movimento, produzidas entre 2017 e agosto de 2024, as páginas oficiais de Facebook e Instagram do #FicaEspanhol e documentos legais que tratam sobre o tema no contexto da Base na educação brasileira. Mobilizo, para tanto, operadores discursivos da teoria do discurso de Laclau e Mouffe, especificamente hegemonia, articulação, política, sujeito e demandas. Em consonância, defendo também a ideia de currículo como uma produção cultural, observando que toda subjetivação é contingencialmente construída, provisoriamente articulada e sem determinação obrigatória. Exploro as demandas identificadas em 12 produções acadêmicas sobre o Movimento, além de textos curriculares que tratam sobre a reinserção do Espanhol na BNCC ao tempo em que fomenta uma educação plurilíngue. A problematização busca debater como o Movimento lida com a difícil tarefa de contestar uma Base Nacional por seu caráter impositivo no que se refere à obrigatoriedade de apenas uma língua estrangeira, lutar pelo retorno do Espanhol a essa mesma Base e propor uma educação plurilíngue que acolha as diferenças em um terreno em que a decisão é contingente e que a luta política é marcada pela relação com a alteridade.
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INSERÇÃO E INDUÇÃO DE PROFESSORES INICIANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL II EM ESCOLAS DA REDE ESTADUAL DE JUSCIMEIRA/MT: DISCUTINDO POSSIBILIDADES NA PERSPECTIVAS DA INDUÇÃO PROFISSIONAL
Autora: SOILI PACHECO DA SILVA BARBOSA
Resumo: Esta pesquisa está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis (PPGEdu/UFR) e à Linha de Pesquisa: Política, formação e práticas educativas; se efetiva na rede estadual em Juscimeira, Mato Grosso, e foca sobre a inserção e indução de professores iniciantes do ensino fundamental II nas escolas estaduais desse município. A questão que mobiliza a pesquisa é: a formação continuada de professores, nas escolas estaduais de Juscimeira, tem, em sua proposta, ações de inserção voltadas aos professores iniciantes e essas atendem suas necessidades formativas na perspectiva de indução? Partindo da questão acima, explicita-se o objetivo da pesquisa como sendo o de compreender como os professores iniciantes se reconhecem inseridos na formação continuada da escola junto aos seus pares e se percebem ações de indução que atendam às suas necessidades formativas. Foram usados como referencial teórico Huberman (1995), Cavaco (1995), Tardif (2002), Marcelo Garcia (1999) entre outros que estão vinculados com o tema da pesquisa Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa. Para a compreensão dos dados, deu-se com a análise interpretativa-compreensiva, por entender que se faz uso de registros descritivos, como os memoriais de formação, sendo estes construídos a partir de eixos temáticos que dialogam com a trajetória dos participantes de modo pessoal entrelaçado ao profissional. Os resultados, apontam que os professores iniciantes não têm formação específica a proposta da indução de forma a atender suas necessidades formativas.
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