Pesquisa

Pesquisa da UFR mostra como ciência cidadã pode transformar agricultores em aliados da conservação da biodiversidade

Por Matheus Gonzales Publicado em: 13/05/2026 15:05 |

Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Tecnologia Ambiental da UFR publicaram um estudo internacional que demonstra como a participação ativa de agricultores, estudantes e comunidades rurais pode fortalecer a produção de conhecimento científico e contribuir para a conservação da biodiversidade brasileira.
O artigo, intitulado Between Soy and Pumas: The Future of Brazilian Biodiversity Is in the Hands of Farmers (https://doi.org/10.3390/d18050268), foi publicado na revista suíça Diversity e apresenta resultados de uma pesquisa desenvolvida em paisagens agrícolas do Sul do Brasil, onde áreas de produção de soja, milho e pecuária coexistem com fragmentos de vegetação nativa. O artigo está disponível, gratuitamente, aqui: https://www.mdpi.com/1424-2818/18/5/268.
Ciência feita com a comunidade
O diferencial do estudo está em sua abordagem metodológica baseada na ciência cidadã, modelo de pesquisa em que membros da sociedade participam ativamente da produção científica. No projeto, agricultores, estudantes da educação básica e voluntários locais participaram de diferentes etapas da pesquisa, desde a seleção das áreas de monitoramento até a instalação de armadilhas fotográficas, análise inicial das imagens e discussão coletiva dos resultados.
Após capacitação conduzida pelos pesquisadores da UFR, os participantes aprenderam a identificar vestígios de fauna, selecionar locais estratégicos para monitoramento e operar equipamentos utilizados na pesquisa. As câmeras registraram diversas espécies silvestres, incluindo a onça-parda, Puma concolor, um dos principais predadores das paisagens rurais brasileiras, além da espécie exótica invasora Sus scrofa, o javali.
Produção científica e impacto social
Segundo os autores, a principal inovação do trabalho não está apenas nos registros biológicos obtidos, mas no modelo de interação entre universidade e comunidade. Ao transformar cidadãos em produtores do conhecimento científico, o projeto ampliou a coleta de dados ecológicos e, ao mesmo tempo, promoveu educação ambiental, divulgação científica e diálogo sobre conservação da fauna em propriedades privadas.
“A biodiversidade brasileira está, em grande medida, dentro das propriedades rurais. Por isso, conservar depende não apenas de pesquisadores ou unidades de conservação, mas também do engajamento de quem vive e produz nesses territórios”, destacam os autores.
Biodiversidade entre lavouras
O estudo reforça que remanescentes florestais mantidos em propriedades privadas podem funcionar como refúgios para espécies de grande porte, inclusive predadores de topo, desde que haja conectividade ecológica e participação social em estratégias de conservação. De acordo com os autores, os resultados mostram que a ciência cidadã pode se tornar uma ferramenta estratégica para aproximar universidade e sociedade, gerar dados científicos de alta qualidade e fortalecer a conservação da biodiversidade em paisagens rurais.