Saúde

Crocheterapia fortalece processo terapêutico e socialização de pacientes

Praticantes costuram linhas e histórias em grupo terapêutico que utiliza arteterapia e crochê como forma de fortalecimento da saúde mental, social e emocional
Por Thiago Cardassi Publicado em: 02/09/2025 10:09 | Última atualização: 02/09/2025 10:09
Grupo se reúne quinzenalmente para realizar trabalhos manuais e compartilhar experiências

A enfermeira e estudante da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Larissa Ribeiro, teve a ideia de juntar uma antiga paixão pelo crochê com a prática profissional do cuidado com a saúde, criando, assim, um grupo de crocheterapia. Nos encontros, as participantes compartilham momentos de aprendizagem, de troca de experiências e também têm a oportunidade de conhecer mais a respeito de rotinas, mudanças de hábitos e informações de saúde pública.

Larissa é aluna do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família (PREMSAF) e trabalha na Estratégia Saúde da Família (ESF) do bairro Cidade Alta, onde atuam equipes de médicos, enfermeiros, agentes comunitários e outros profissionais, com o objetivo de fornecer uma atenção abrangente à saúde da população. Esses atendimentos se dão na forma de práticas integradas e complementares de saúde que não cuidam apenas do físico, mas abordam as dimensões mental, social e emocional do ser humano.

Entre estas práticas está a arteterapia, baseada em evidências científicas e reconhecida desde 2017 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como uma forma complementar de cuidado que auxilia os pacientes no desenvolvimento do processo terapêutico. Larissa explica que:

“Essas práticas são reconhecidas pelos seus benefícios na promoção, prevenção e recuperação da saúde. […] A arteterapia utiliza diversas técnicas expressivas, como pintura, modelagem, tecelagem, como base de um processo terapêutico. E o crochê se enquadra perfeitamente nesse contexto como uma forma de arte têxtil e expressão criativa”.

Ela também conta que a arteterapia pode ajudar na redução do estresse e ansiedade, na melhoria da concentração e criatividade, no estímulo à coordenação motora e da atividade cerebral, aumentando a autoestima e a capacidade de socialização. Além disso, a produção de materiais funciona como uma possibilidade de geração de renda.

Grupo terapêutico tece linhas e histórias de vida

O nome do grupo Crocheterapia: entre linhas e histórias, já mostra que a dinâmica dos encontros não envolve apenas o crochetar. Estes momentos funcionam como um espaço seguro e acolhedor para o compartilhamento de experiências e aprendizagens. Os participantes sentam-se em círculo, um de frente para o outro, para que possam se olhar, conhecer melhor e falar sobre aquilo que tiverem vontade.

Atualmente, o grupo está formado por mulheres, mas homens também podem participar. Larissa conta que, recentemente, surgiu um interessado que está afastado do trabalho por burnout e precisa de métodos não farmacológicos para lidar com a situação. “Então, ele se integrando ao grupo, vai ter todos esses benefícios, redução do stress, ansiedade, melhora da coordenação motora, melhora no foco, vai ter uma sociabilidade maior e vai conseguir retornar às atividades que antes eram prazerosas para ele, e que hoje não são mais por conta do quadro que ele se encontra”, explica a enfermeira.

Os encontros ocorrem a cada 15 dias no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Jd. Iguaçu, nas sexta-feiras, às 14h. Qualquer interessado pode participar, até mesmo os novatos que desejam começar agora. Os encontros contam com a presença de uma professora que divide seus conhecimentos com os integrantes do grupo.